Aluna de Nutrição da Unigranrio vence ultramaratona de 300km em Minas Gerais

A nilopolitana Karine Thames (1,81m), 74kg, tem 41 anos e, sem medo de ser feliz, arrasa como ultramaratonista em pistas de atletismo e de montanhas. Ela, que é aluna de Nutrição da Unigranrio/Caxias, conquistou nesta última semana sua mais nova vitória, uma das mais difíceis de sua carreira esportiva, onde competiu com uma uruguaia durante quase todo o percurso de 300km, entre duas cidades de Minas Gerais. A prova durou 72 horas por estradas com aclives e declives, dificuldades diversas, mas com o sabor da bandeirada e do pódio, em primeiro lugar. O poder de concentração dessa superatleta foi fundamental, porque o trajeto percorrido tem obstáculos que causam fortes dores no corpo e até confusão mental. O lema de Karine é  superar limites a cada dia.

Segundo Karine, poucas pessoas podem avaliar a dificuldade que uma ultramaratonista enfrenta durante as longas horas de prova

Montanhas, sol intenso, chuva, vento, frio, rios, animais na pista, cobra, montanhas, escuridão, fadiga muscular e dores insuportáveis antes de cruzar a faixa de chegada relativizam a vida dessa estudante, que muitas vezes sai da faculdade, do curso de nutrição, à noite, para embarcar num ônibus noite a dentro rumo a mais uma competição, deixando de lado suas duas filhas e o marido, o grande incentivador. Seu facebook fica repleto de likes e comentários, após cada prova. Depois desta última vitória em Minas, seu facebook acumulava mais de 1000 presenças e centenas de comentários, todos repletos de elogios. Durante as provas há momentos de altos e baixos, mas nunca tive câimbra e nunca pensei em desistir de uma competição.

Planejamento e resiliência estão no mapa de preparação de Karine. Ela é a oitava maior ultramaratonista do mundo na categoria 48 horas

Karine tem estratégia bem dosada para disputar ultramaratonas. Ela nem se preocupa em sair correndo na frente do pelotão de atletas, apenas dosa seu ritmo com olho no cronômetro, nas passadas largas e com a mesma determinação que a conduziu como oitava maior especialista do mundo na categoria 48h, no “Ultra 48h da Mantiqueira, em 2017, na cidade de Passa Quatro (MG). Coragem, resistência, treinos diários de pelo menos 15km são suas ferramentas diárias, além de refeições balanceadas, apoio do marido e de suas duas filhas, que preferiram não seguir os passos  de sua mãe.

Ela já tem outra prova radical, de 100km, no dia 20 de abril, que é Transmantiqueira Ultra Trail Agulhas Negras (Tutan)

Karine não dorme no ponto!  Ela já tem outra prova radical, de 100km, no dia 20 de abril, que é Transmantiqueira Ultra Trail Agulhas Negras (Tutan), que será realizada dentro do Parque Nacional de Itatiaia e Parque Estadual da Pedra Selada. Cerca de 300 atletas competirão neste dia, sendo 80% homens e 20% mulheres, de todo o Brasil. A largada está prevista para Rodovia Sebastião Alves do Nascimento em Resende, na divisa com Itamonte (MG), área conhecida como Garganta do Registro, a partir de 6 horas. A chegada será em Mauá, na sede do Parque Estadual da Pedra Selada O tempo limite dessa prova é de 24 horas. Os cinco primeiros colocados de cada categoria receberão troféus e terão pontuação para o Ultra Trail do Mont Blanc, maior evento de corrida de montanhas do mundo.

O sonho dessa superatleta é competir no deserto de Atacama, no México, em setembro de 2019 e, posteriormente, na França. “A cada prova eu me sinto outra pessoa”, explica Karine

Alguém tem dúvida de que ela vai competir no exterior? Ela tem uma usina de energia nas veias, no coração e na mente. No deserto de Atacama, na ultramaratona mais extrema do mundo,  terá que superar 200km sobre desertos de areia e de gelo, em desafio inédito. A prova mais longa que ela já participou, de 400km, foi no Rio Grande do Sul, na cidade e Rio Grande, quando ficou em segundo lugar, competição vencida por uma atleta argentina. Karine chega a passar pomadas especiais nos pés, a cada corrida, para combater as dores incessantes provocadas por calos e bolhas.

Karine, Mulher Maravilha da Ultramaratona Brasileira, tem um sonho: conhecer Usain Bolt, seu maior ídolo

Os ídolos de Karine são os mesmos de milhões de brasileiros: Ayrton Senna e Usain Bolt. Acho que Karine vai ao encontro de seu ídolo do atletismo. “Seria um sonho conhecer esse supercampeão, o que representaria o maior presente como desportista”, declarou a ultramaratonista. Karine complementa a informação para aqueles que gostam de correr longas distâncias: “Nestas provas de alta performance, tanto em pista como circuitos de montanha, há necessidade de muita disciplina, foco, determinação, além de capacidade para superar extenuantes horas e turnos de treinamento”.

Karine repudia a falta de incentivo a ultramaratonistas brasileiros

“O Brasil ainda é o país do futebol. Culturalmente, o futebol é o pai de todos os esportes, mas os outros vêm ganhando corpo e espaço no cenário atual. O Atletismo vem a passos lentos e com poucos incentivos, onde atletas amadores buscam se profissionalizar para alcançar resultados significativos. A corrida de rua, por exemplo, está crescendo a cada dia, com muitos adeptos. A ultramaratona, nesse contexto, é uma modalidade que requer muitas horas de treino, o que representa uma dificuldade maior no número de atletas, porém, acredito que o governo federal possa incentivar nossos atletas com patrocínios, logística de marketing e planejamento em geral”.

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