Idemburgo Frazão, da Unigranrio, lança livro sobre o escritor Lima Barreto

Idemburgo Frazão é professor da graduação, do mestrado e do doutorado em Humanidades, Culturas e Artes da Unigranrio.  Frazão, que também é poeta, músico, cantor, compositor, cronista e contador de boas histórias, acaba de lançar o livro “Lima Barreto: diálogos marginais e identidades periféricas”. Essa obra aproxima aspectos da biografia e da obra desse escritor carioca, dando ênfase à sua trajetória difícil de escritor suburbano e negro. A obra de Frazão temo com foco central a reflexão sobre instâncias das identidades periféricas e das marginalidades na literatura brasileira. O lançamento do livro ocorreu em Botafogo, na livraria Blooks, em noite de muitos amigos, autógrafos, fotos e aplausos

Impressões sobre Lima Barreto, um dos maiores escritores brasileiros

Fátima Maria de Oliveira, pesquisadora do Laboratório de Estudos de Literatura e Cultura da Belle Époque (Labelle/UERJ), no prefácio da obra, descreve  Lima Barreto (1881-1922) como um dos maiores escritores brasileiros, como um observador crítico e atento dos acontecimentos da cidade do Rio de Janeiro.

Lima Barreto: imortal escritor que combatia desigualdades sociais e desleixos do poder público em relação aos pobres’

Neste livro publicado pela Editora Autografia, pode-se observar um Lima Barreto precursor de uma literatura voltada para as periferias. O autor de Triste fim de Policarpo Quaresma, só recentemente, foi reconhecido por sua obra literária, que contém críticas corrosivas sobre os ‘desleixos do poder público em relação aos pobres’, contra todas as formas de racismo e discriminação, a exemplo dele próprio, vítima por ser negro e suburbano. Guinho Frazão, como é conhecido no campo da arte ou professor Frazão, como é conhecido na Unigranrio, faz um recorte ao mesmo tempo crítico e afetivo, destacando o talento desse imortal escritor, que mesmo consciente de sua competência e carreira profissional, não conseguia se livrar dos estigmas de bêbado e de desleixado. E muito de seus dissabores são provenientes dos muitos preconceitos que, ainda hoje, criam bolsões de ignorância e exclusão na sociedade brasileira.

O livro ‘Lima Barreto: diálogos marginais e identidades periféricas’ é uma obra de altíssimo valor reflexivo

Este livro é um convite à reflexão sobre as relações entre literatura e sociedade. Nele, Frazão relata que marginal é o oposto, na verdade do que geralmente se aprende. É aquele que “não ocupa os centros de poder e/ou atenção, ficando à margem; pode ser também aquele que se assume diferente e que quer permanecer fora dos centros dogmáticos de comportamento”. Alguns artistas já trabalham com esse viés das “margens” apresentado no livro, como se pode perceber na composição musical ‘Homenagem ao Malandro”, de Chico Buarque, “o malandro pra valer/, trabalha, mora lá longe/, chacoalha, no trem da central”.

Gonzaguinha: “Fé na vida, fé no homem, fé no que virá”

Essa leitura sobre o livro de Guinho Frazão é como um imã, prende-nos do início ao fim, com reflexões contundentes, ligações com autores que já denunciavam atrocidades, falta de oportunidades e direitos sociais. Num dos trechos da obra,  Idemburgo Frazão completa: “Na literatura, temos o marginal em obras como ‘Cidade de Deus’, de Paulo Lins, Carandiru, de Dráuzio Varela, dentre tantas outras. Mas há também, estranhamente, marginais que cumprem a lei à risca, como Policarpo Quaresma e seu próprio autor, Lima Barreto”. O autor, inclusive, tentou entrar na Academia Brasileira de Letras, mas ficou, como sempre, à margem.

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