Livro de José Severino da Silva descreve Diáspora Nordestina

Como entrar no imaginário do nordestino, da autenticidade e das aspirações desse querido povo? José Severino da Silva pesquisador e professor da Unigranrio, doutorando em Humanidades, Cultura e Artes e Ciências Humanas nessa universidade, ousou ao escrever seu livro a partir da dissertação de mestrado. Ele, que depois de tantos artigos publicados sobre cultura, identidade, cordel, migração e culinária nordestina, acaba de lançar o livro “Diáspora Nordestina”, a literatura de cordel como marca identitária.

História coletiva do povo nordestino

Nessa obra da Editora Autografia, de 182 páginas, o autor, da cidade de Caruaru (PE), traz a sutileza do cordel costurado por reflexões que marcam a memória e história coletiva do povo nordestino. Nosso querido professor, sempre presente com seu talento de músico, transporta seus leitores por caminhos poéticos de Mestre Azulão, por terras distantes como as trajetórias dos migrantes, daqueles que preservam as tradições mais relevantes, de vivências diversas, como Feira de São Cristóvão, Feira de Duque de Caxias, entre outras.

Diretora do Instituto Histórico da Câmara Municipal de Duque de Caxias, Tânia Maria da Silva Amaro de Almeida, também comenta sobre esta obra literária

O livro desse incansável mestre do cordel revela o cotidiano de homens e mulheres expulsos de sua terra devido às secas. De acordo com texto da historiadora e diretora do Instituto Histórico da Câmara Municipal de Duque de Caxias, Tânia Maria da Silva Amaro de Almeida, “essas produções colaboram para a reconstrução de uma identidade que representa um viés da nordestinidade e sua obra, bem como objetivo de compreender a dimensão do cordel”.

A seguir, um trecho do livro escrito por Idemburgo Frazão, professor da Unigranrio, do programa de Pós-Graduação em Humanidades, Culturas e Artes

“Severino em sua obra -, que, ao transportar seus objetos, seu jeito, seu pensamento, seus pertences para outra região geográfica  o (i)migrante leva o lugar dentro de si, pois o lugar se infiltra na alma cultural, nas instâncias mais íntimas, do migrante. O autor, José Severino da Silva, carrega não apenas nos aspectos físicos e em seu nome, características nordestinas, mas em suas habilidades musicais, culinárias, poéticas e na xilogravura as heranças da cultura de “matriz nordestina”.

Navegar é preciso, viver também é preciso

O sumário é um convite a uma viagem que enumera subtítulos como Cordel e suas Origens, Cordéis do Mestre Azulão, Dialogando com Patativa do Assaré, Cordel em Livretos, Cordel Digital, Hibridismo Cultural, As incertezas das Viagens e Resistência e Desenraizamento.

Mestre Azulão & Mestre José Severino da Silva

Nesta obra, José Severino da Silva nos convida para uma busca das identidades diaspóricas dos nordestinos, por meio da análise da poesia popular de Mestre Azulão, que representa, nos seus cordéis, o mundo em que vive e a si mesmo, resultando nas reflexões acerca das trajetórias dos migrantes inseridos no ambiente cultural urbano.

José Severino tem o dom dos grandes poetas, criativo, denso e apaixonado por seu povo

O cientista José Severino, que também é músico, explica que seu livro defende a necessidade de preservar as tradições locais e regionais a partir de suas vivências em espaços como a Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, e a Feira de Duque de Caxias. Nesta feira.  José Severino encontra Francisco Barboza Leite, outro poeta que, a partir de suas produções, mostra o cotidiano de homens e mulheres expulsos de sua terra devido às secas e que seguem em busca de melhores condições de vida.

Reescrevendo a história, muito além do Nordeste

Ambos os cordelistas, conhecedores da importância do cordel para a identidade dos nordestinos, criaram vários folhetos que “reconstroem as trajetórias vividas por estes sujeitos de uma nova história, no lócus que escolheram para viver”, conclui José Severino. Ele já está desenvolvendo sua defesa de tese sobre “Culinária Nordestina”.

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